Da Suécia para a Dinamarca

Depois de brincar de tetris mais uma vez com as bagagens, instrumentos e os novos equipamentos que chegaram para o primeiro show, entramos na van rumo ao interior da Suécia para aproveitar os dias livres antes da nossa segunda apresentação. Passamos alguns dias na casa de amigos de nossa amiga (agora nossos também) e motorista em três diferentes vilarejos.

A primeira parada foi na vila de Jädraas, onde moram Emma, Zam e Jessica, Magnus e seu banjo e ainda três cachorros – dois dos quais são uns dos maiores que já vimos. Fomos muito bem recebidos pelo pessoal que pareceu muito animado e recepitivo com nossa visita, afinal, lá vivem por volta de 250 pessoas. Logo na primeira noite, fomos convidados a ir tomar um banho no lago mais próximo (aquele que consta na última foto do post anterior). Sem saber o frio que nos esperava, alguns de nós se atiraram nas águas geladas do verão sueco. Mas como fomos treinados no Rio Juquiá, suportamos bem as condições do ambiente.

Os dias que se seguiram foram também muito bem aproveitados, com conversas, passeios a pé e de bike pela região. Fomos a outros lagos e rios nadar guiados pelos moradores e seus dois cães – algo que soa muito familiar para nós. A casa do pessoal era enorme pois, no início do século XX, foi um alojamento para famílias de trabalhadores de uma fábrica perto da vila. Hoje a fábrica está abandonada e se tornou um ponto turístico da região.

Saindo de lá fomos para a vila de Lycka, na casa do casal Katja e Niklas e de sua filha Tekla. Uma casa bem recolhida no fim de uma estradinha de terra no meio de uma bela floresta – algo que também soa muito familiar. Lá, ficamos em uma casinha de hóspedes bem aconchegante, onde passamos duas noites. Ainda no primeiro dia em Lycka, passamos na casa de Martina, que fica na vila de Besinge para uma sessão de sauna na beira de um lago. Foi incrível poder sair da sauna escaldante e mergulhar no lago. Levamos nossos sabonetes e tomamos um belo banho também.

Esses dias foram muito interessantes por termos a oportunidade de conhecer melhor a Suécia. Tanto a moderna Estocolmo como seu pacato interior rural, as pessoas, seu ambiente e o contexto político.

Depois disso fomos direto para tocar no festival Punk Illegal, um evento que aconteceu nos dias 24 e 25/06 com apresentações musicais e oficinas. Um dos maiores eventos punk/faça-você-mesm@ da Suécia. Sua proposta é ser beneficente a imigrantes e refugiados que vivem na Suécia e trazer para o debate a questão da ilegalidade, da perseguição e das deportações por parte do estado, a dificuldade de se estabilizar em um novo país e também questionar o papel das barreiras e fronteiras que permitem a circulação de mercadorias e capital, mas não de pessoas. Temos notado que a questão da imigração é muito importante por aqui e isso nos deixou mais empolgados ainda para participar de um evento como esse.

Fomos a segunda banda a se apresentar no primeiro dia do festival. Das bandas que tocaram no dia, podemos citar com destaque o Monachus, um sludge bem tocado e muito bem equipado de uns suecos fãs de Neurosis, a banda Ruidosa Imundicia com seu som rápido e vocal feminino de muita energia e, também o Juggling Jugulars, um punk rock com muita presença, de mais de 20 anos de estrada. Foi legal ver como anos de experiência podem fazer a diferença em uma banda.

No segundo dia abrimos a programação do festival com uma palestra sobre Punk em tempos de Ditadura Militar no Brasil. O que foi uma ótima oportunidade para trazer relatos e visões do lado sul do globo. O debate que se seguiu mostrou o que os participantes estavam muito interessados e curiosos sobre o assunto.

Houve também a exibição do documentario Noise and Resistance, sobre cultura punk de resistência na Europa de hoje, com entrevistas e relatos de pessoas envolvidas em bandas, espaços e grupos de vários países. As melhores apresentações do dia foram do Burning Kitchen, uma banda sueca clássica dos anos 90 que fez um incrível show de reunião, e também do The Fight uma banda polonesa de hardcore punk politicamente engajada muito energética, que não foi embora até tocar umas 3 músicas bis.

Outras bandas que estavam no festival, Nailbiter, banda formada por brasileiros e um italiano, defiance, hellbastards, sotatila, simbiose, vitamin x…

Depois de mais uma noite na Suécia, no suburbio de Göteborg , rumamos no dia 27/06 para a cidade de Aalborg, na Dinamarca, onde tocamos com a banda Defiance, de Portland, que também participou do Punk Illegal com seu street punk que mais parece uma carreta Scania sem freio, e uma outra banda local no espaço chamado 1000Fryd. O 1000fryd é um espaço criado há 28 anos pelos grupos de esquerda e que depois a galera anarquista passou a fazer parte da adminstraçao do local.Nosso show correu bem, apesar de algumas falhas técnicas e uma pele de caixa estourada na primeira música. Dormimos por lá mesmo, no maior camarim que provavelmente veremos em nossas vidas. Essa galera dinamarquesa sabe mesmo receber visitas. No dia seguinte, o pessoal do espaço nos levou para um churrasco com muita farofa (com direito a vegasco, patês, saladas e bebidas. Farinha de mandioca mesmo, nada! Pena, até estamos com saudades…) numa ilha da cidade, com uma das praias mais estranhas que já vimos.

O próximo show será na cidade de Rostok, Alemanha. Até lá!


Warning: Division by zero in /home/nogoders/public_html/tunapunkrock.com/wp-includes/comment-template.php on line 1379

Comments are closed.