Alemanha!

Tem sido difícil manter esse blog como um diário pela falta de oportunidade de juntar tempo disponível, internet, computador e memória em um mesmo lugar. Mas a vontade de compartilhar e a cobrança da família, dos amigos e amigas nos motivam a tentar achar uma forma de juntar tudo isso.

Para começar, precisamos atualizar a última frase do post anterior que diz que o próximo show seria em Rostock, Alemanha. Na verdade passamos em Flensburg, uma cidade a caminho de Rostock bastante antiga, com casas do século XIV, para dormir uma noite e continuar a viagem no dia seguinte. Ficamos no espaço Hafermarkt (foto abaixo), uma casa ocupada há 20 anos, na qual não conseguíramos marcar um evento enquanto preparávamos a tour. Mas logo na primeira noite, uma quarta-feira, fomos convidados para um show surpresa na sexta-feira, primeiro de julho. Convites pela internet. Andando pelas rua da cidade com um amigo local, o Ronan, cruzamos com um conhecido dele que tem uma banda. O convite foi feito e aceito. Pronto: um show com duas bandas e uma casa relativamente cheia para nossas expectativas. Para quem não tem nada, a metade é o dobro, certo? E foi muito legal poder passar mais dois dias nesse espaço, conhecer a cidade, seu falafel, instrumentos vintage e festas onde pudemos entrar de penetra depois do show. Mas devíamos ter tido mais cuidado para não perder o celular ao pular a cerca.

Dia seguinte, voltamos ao local do crime, resgatamos o celular viking e partimos finalmente para Rostock, onde os amigos Rui (que, para quem não sabe é brasileiro e tocou nas lendárias Abuso Sonoro e Necrorrosion) e Maren nos esperavam. Um sábado chuvoso e um show muito animado, rápido e quase sem tempo para respirar no porão de um prédio que um dia já foi um squat e hoje é um desses centros culturais legalizados. Algo muito comum na Alemanha. Dormimos em um outro centro cultural, o JAZ no qual nosso casal amigo está envolvido. Um lugar bacana num cantinho mais distante da cidade e com uma decoração bizarra, com um míssel na porta, grafites, esculturas medonhas etc. Depois de um maravilhoso jantar capotamos para sair cedo de manhã. Acordamos, café da manhã com direito a conhecer as gêmeas, filhotas do Rui e da Maren, lindas, cuti cuti.

De volta à estrada para a próxima parada: Berlim! O show foi num dos espaços do Köpi (foto abaixo), uma das maiores ocupações de Berlim e da Alemanha. O prédio é um antigo hotel de luxo do início do século XX que sobreviveu a duas guerras mundiais e a todo o período de guerra fria. A parte da frente, que contava com uma entrada, um chafariz, onde carrões faziam uma voltinha para entrar, e algumas paredes foram destruídas por bombardeios, mas a estrutura principal está bem inteira. O primeiro andar do prédio conta com um bar beeeem punk, uma cozinha grande e bem montada, alojamento para bandas e visitantes e também um grande espaço pra shows, que por sinal é muito bem equipado e conta também com um projetor. Foi lá, inclusive, que exibimos um pequeno vídeo, produzido pela Marina Knup e pelo Joaquim, sobre o fim do Espaço Impróprio. Depois, um debate e uma troca de experiências sobre a criação e a manutenção de espaços libertários em grande centros urbanos. Mas no fim o debate foi se desdobrando em grandes trocas de contextos e experiências como os que sempre têm enriquecido nossa viagem até então e nos inspirado bastante.

Tocamos no Koma F, um outro palco menor, no porão do Köpi. Um espaço menor e mais eficiente para receber a sensualidade do punk brasileiro. Ouvimos dizer que originalmente ele era um bunker anti-bombardeio. Parece que funcionou bem. O show foi bem energético e dividimos o palco com uma banda da China, chamada Fan Zui Xiang Fa. Estava nos planos a participação de uma banda russa também, a Komatoz. Assim, faltaria só uma banda da Índia para ser um show só com membros do BRIC. Mas os russos foram barrados na saída de seu país e tiveram que adiar sua tour.

No curto espaço de tempo entre a atividade sobre o Impróprio e o início do show, escapamos para uma outra ocupação, chamada Cafe Morgenrot, onde estava pra acontecer o show da banda The Estranged, de Portland. A ansiedade de ver esse show era muito grande e saímos correndo pelas ruas de Berlim para chegar a tempo de ver o show. O lugar é muito interessante, pois nunca imaginaríamos um lugar como aquele ser uma Ocupação. A entrada, um cafe punk de primeira e muito bom gosto e o show num porão no melhor estilo Punk. Foi foda poder ver uma banda da qual gostamos e tiramos muita inspiração e que nos lembra vários momentos em que ouvimos suas canções junto a pessoas queridas.

De volta ao Köpi, encontramos finalmente os nossos vinis (que o Paulo foi buscar na casa da Marina Pandeló, que deu a moh força – as caixas eram beeeeem pesadas -, recebendo-os, guardando-os, postando fotos dele enquanto não chegávamos lá e traduzindo as letras para o inglês. No tempo que passou lá o Paulo perdeu o show, mas matou as saudades e conheceu em primeira mão o Vux Café, comandado com extrema habilidade pelo Arilson, eterno Abuso Sonoro) e ficamos mais felizes ainda por ver o resultado e por tê-los disponíveis para distribuir. Foi um show muito enérgico pela emoção de ter tudo isso reunido, mais as boas lembranças de nosso amigo Mudinho que vieram à tona quando lemos novamente todo o encarte do disco, que foi em sua homenagem. Tocamos todo nosso set, que não é tão grande assim, e vimos uma galera dançando. No final, repetimos mais duas músicas atendendo o pedido de “bis” da galera que já estava contagiada.

Depois do show, tivemos dois dias para andar por Berlim atrás de outros espaços libertários, conhecer as lojas anti-fascistas (pode acreditar) lojas de discos, instrumentos, conhecer as vistas, o muro e a história da cidade. Visitamos alguns museus, destroços do Prédio da Gestapo, o monumento sobre o holocausto, com a ajuda de nossa motorista pessoal e atual residente da cidade.

Partimos agora para as semanas mais corridas da tour. Show todos os dias e muitas coisas para contar. Próximo show em um povoado distante da cidade chamada Wendland. Em breve um história bastante inspiradora deste lugar.

Muro de Berlim

Monumento às vítimas do Holocausto

Onde Hitler deu seu maior discurso


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