SETENTA POR CENTO DE MAR

Ter muita certeza é enrijecer
Toda solidez pode rachar
E a forma dura, irrefutável, é forte mas não dura
Sucumbe ao próprio peso ou começa a esfarelar
 
Fluir! Fluir para viver
Escorrer! Em frestas penetrar
Espirrar! E o golpe absorver
Dissolver, erodir, afogar
 
 Inodora, insípida, incolor
Neutro ph, bom condutor
Refrata e faz visível todo o espectro de cor
Relâmpago e arco-íris, expressão de raiva e amor
 
Chover, se for pra enternecer
Virar nuvem se for para sonhar
Correr e turbinas mover
Derreter quando o inverno passar
 
Chover, regar, fazer crescer
Pra ver tudo do alto, evaporar
Quando encanado congelar
Se expandir até o cano arrebentar
 
Redemoinho, tudo leva ao fundo
Ser vagalhão, sobre si se dobrar
Descer em turbilhão por ego e sombra até o si mesmo
Trazê-lo à superfície e em ondas se espalhar
 
Descer, se autoconhecer
Achar o que no silêncio escuro está
Ascender em corrente e o trazer
Deixá-lo à superfície aflorar
 
Viver vazante e cheia quando a lua aparecer
Dançar com o vento que soprar
Ondular e até a margem correr
Lamber a areia, alisá-la e então recomeçar

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