Primeiro show em Estocolmo

Sábado foi nosso primeiro show. Mas antes dele – o dia ainda tinha acabado de começar – já tínhamos muitas coisas pra fazer: arrumar as malas, ir para a feira anarquista de livros e depois para a festa da Feira, que era exatamente o nosso show. Acordamos às pressas, e saímos todxs com uma Van antiga, transformada artesanalmente em motorhome, com cozinha e uma cama de casal.

O pessoal deixou a gente na feira e foi organizar a festa, inclusive carregando coisas nossas, que estavam em duas casas, aquela em que ficamos e na do Stefan, que serviu de posto de entrega de equipamentos que compramos via internet.

Passamos o dia na Feira. Quando chegamos já ficamos encantadxs, com toda estrutura e o clima em geral: cozinha na entrada do prédio, com muitas pessoas trabalhando juntas, panelas gigantes, lava louça ecológico; música ao vivo; bikes, cachorros, crianças e muita gente circulando: pessoas da Grécia, França, Alemanha, Inglaterra, Finlândia, Peru, Espanha, vários lugares da Suécia.

Ao entrarmos no prédio, mais empolgação: baquinhas de livros, zines, pôsteres, bottons, discos… informação para todo lado, nem sabíamos para qual ir. Aos poucos fomos andando e nos perdendo em meio às informações. Além das banquinhas no evento tinha oficinas, palestras, filmes, uma sala para as crianças e música ao vivo. Aos poucos fomos nos contagiando e entrado no clima do evento. Nâo deixamos de notar uma grande familiaridade com a forma de organizarmos eventos no brasil: a preocupação com a alimentação das pessoas, as várias atividades acontecendo ao mesmo tempo, a vontade de colocar diferentes visões em contato.

Depois de visitar toda a feira, descemos para o lado de fora e ficamos conversando. É claro que não podíamos ficar de fora: Andreza, Pandora e Paulo se enfiaram na cozinha para ajudar a organização da Feira. E assim fomos conversando, trocando idéias e conhecendo as pessoas e participando das palestras e workshops: vimos uma mesa com diferentes correntes do movimento antifascista na Oi!ropa e uma sobre o anarquismo na Grécia. Em ambas procuramos contribuir, com perguntas e, quando pertinente, falando de como estão as coisas no Brasil.

Às 4 da tarde nossa Van chegou. Imediatamente corremos para vê-la, ansiosxs por saber o tamanho do porta-malas e ver o quanto teríamos que nos apertar com tanta tralha que trouxemos. Mas não! Com certeza vai caber tudo e nada como uma boa organização para ficarmos bem confortáveis nos bancos e até dormir durante as viagens. Conhecemos também o Sebastian, dono da van e amigo da Xenia, que também nos acompanhará na viagem, como segundo motorista.

Às 5 da tarde saímos para o lugar do show e, mais uma vez, ficamos empolgadxs e inspiradxs com o lugar. Para falar a verdade, muitxs sentimos até saudades do Impróprio, de todo aquele sentimento maravilhoso de quando estamos realmente fazendo as coisas do modo em que acreditamos e de que gostamos, com pessoas que valem a pena, com coisas que só nos fazem acreditar mais e mais no que estamos construindo.

O Espaço se chama Grundbulten, tem uma bar com comida vegan, o espaço de shows com vários ambientes: mesas para comer, sofás e salinhas para conversas, além de um quarto para acomodar as bandas de fora. O espaço tem pouco mais de 6 meses e está passando por diversos problemas que podem comprometer sua existência: falta de pessoas que organizem coisas, que façam as coisas, falta de apoio, valores altos de contas e aluguel. Fomos recebidos com comida, bebida à vontade e equipamento bom. Depois de comer e conversar com as pessoas do espaço, fizemos a passagem de som e começamos a organizar nossa banquinha: camisetas, bottons, moleton, patches (contra a vontade do Paulo =p), livros, zines e tanta coisa que parecia que não acabava nunca.

Primeiro show com nosso equipamento e, é claro que algumas coisas deram errado: nosso amplificador não funcionou, mas logo conseguimos um outro emprestado para tocarmos. O show contava com mais duas bandas, o Midnite Stalkers e o Ignominy. A primeira foi o Ignominy, algo misturando power violence com um pouco de metal e vocal bastante gritado, o Midnite toca um punk rock mais voltado ao rock, muito bem tocado. Quanto ao nosso show, ouvimos muitos comentários bons; da Xenia, uma única crítica; segundo o Sebastian: “Se a Xenia só reclamou de uma coisa, vocês podem considerar que o show foi muito bom!”. Após as bandas, como é tradição na Suécia, rolou festa com música a noite toda. Ficamos ainda horas conversando, comendo mais ainda, ouvindo músicas de diversos países (Fabrição mandou uns Cóleras e Inocentes na “vitrola”) e aproveitando para nos despedir das pessoas que não veríamos mais.

O melhor de tudo foi, no final, saber que inspiramos muito o pessoal da organização a ter forças e continuar lutando pelo espaço. É claro que eles também nos inspiraram. A troca foi feita.

Proximo show será no Punk Illegal – punkillegal.org -, na sexta. Agora estamos em Jädeas (foto abaixo), uma casa no meio da natureza, onde tem lobos, ursos, lago, mata nativa e casas típicas suecas. Em breve colocaremos mais notícias de como foram nossos dias aqui.

Ansiosos pelo Punk illegal, um festival beneficente a imigrantes na Suécia, com palestras, bandas, encontro de amigxs…


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