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TuNa – Dupla Face na MRR

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VEM NA FÉ, TIO, QUE A RESISTÊNCIA É FÉRTIL

Pode cuspir, pode pisar

Não me mexo

Tentar todos truques de persuasão (perfuração)

Eu não cedo

Se se deixam erodir, iludir

Permaneço

Pode escavar, pode garimpar

Não te conto

Porque eu sou firmeza

Não é qualquer impacto que me abala, não

Só danço os tangos compostos na escala Richter

Não faço terremoto em copo de areia, não

Se tu tem britadeira e me esfacela

Meus fragmentos

Pra funda estilingue, arremesso

São munição

Se tu vem com baixeza eu caio em cima

Soterramento

E no fim de tudo sua carne

Eu que vou comer

Porque eu sou pedreira

Aqui é avalanche, aqui é rock ´n roll

Pedra no sapato, no meio do caminho

Pedra de responsa, pedaço de mau caminho

Meu centro é ardente, pulsante

Não me alieno

E quem tem raiz alimenta

O que vai florescer

Sou todo o terreno, me estendo

Além do horizonte

Mundão sem porteira ou fronteira

Pra gente correr

LE GRAND TOUR

Se cada gesto em si que importasse

E fosse pleno de significado

Unívoco, e nada o mudasse

A gente tava mesmo bem ferrado.

 

Mas dá, às vezes, pra retroceder

Mas dá, às vezes, para repensar

E o mesmo take ter sua dupla face

Da outra vez que for reprojetado

 

A gente só entende todo o drama

Que o close captou naquele olhar

No último capítulo ou fotograma

No prisma de uma grande angular

 

Roteiro aberto, cada atriz ou ator

Dirige a própria cena e improvisa

E como não existe diretor

Muito nonsense faz parte da fita

 

A gente só entende todo o drama

Que o close captou naquele olhar

No último capítulo ou fotograma

No prisma de uma grande angular

 

É tudo uma Odisseia sem Homero

The end” que tem continuação

Como, às vezes a gente diz uma frase

E depois logo emenda um “só que não”

 

E se tudo encerra um “e se?”

Nenhuma cena se encerra ali

Certeza mesmo não se tem de nada

Toda história pode ter virada

 

A gente só entende todo o drama

Que o close captou naquele olhar

No último capítulo ou fotograma

No prisma de uma grande angular

PELOS BIGODES DE FRIEDRICH NIETZCHE

A vida não é só flor, também é náusea

E muita vez o bom é o perturbado

Que sorve e mal digere o veneno

Razão do erro próprio e do alheio

Na bolha de total assepsia

qualquer poeira causa alergia

se não tem contato com a doença

Um corpo não adquire resistência

 

A bile acumulada se vomita

Descarrega-se violentamente

Jamais odiaremos nosso amor

Mas nosso ódio amaremos sempre

 

As vezes fumar um pouco de tabaco

Aquece o corpo e tira a umidade

E um doce depois da batata frita

Não nutre mais alegra a barriga

Um fim de amor ou uma rejeição

Confiar e sofrer uma traição

Ou trair quem confia por vaidade

É fazer parte da humanidade

 

Sem pé na jaca a vida não é vida

Sem pé por mão não rola bananeira

Nem nunca alcança a sabedoria

Que não se deixa dizer uma asneira

 

Meu super-homem não é feito de aço

Mas frágil, cheio de sensibilidade

Chora abraçado com um cavalo

De pena do homem do chicote

 

O heroico mesmo é meio bandido

Um Brad Pitt que é Tyler Durden

E que destrói algo que acha bonito

Dá a cara a tapa e explode edifício

Pra ter saúde às vezes é preciso

travar contato com uma doença

Quero cheirar fumaça de óleo diesel

Me embriagar até que alguém me esqueça

LA VIE EN CLOSE

Cada gesto nosso é um flash

1/24 de segundo

Que, sem apagar o que o antecede

Se sobrepõe ao outro em um novo mundo.

A sucessão de gestos fixos no momento

Nos dá a ilusão de movimento

E a sensação de continuidade:

A vida é um cinema de verdade.

 

Então o que passou não é passado?

O que passou tá vivo e enterrado.

O gesto é eterno e você sente

Germina e frutifica igual semente.

 

Nós juntos, cena em plano geral

Coreografia improvisada de um musical.

Do alto, de onde é feita a tomada

A cada frame uma figura é formada.

Em roda, em fila ou em espiral

Mosaico de pessoas, vivo fractal

Strike a pose (vogue): spacatti ou rodada

Registro em rolo de revolução dançada

 

Então a vida é gestos decupados?

Quadro-a-quadro cujo corte não se sente?

O tempo é o entre-quadros?

O que é o que foi simultaneamente.

 

Nos closes cada qual é cada qual

Seu susto, riso, ou lágrima que cai

Angula perfis que são bons e maus

Nos closes o que está por dentro sai

 

Nos olhos, no que é rido ou é chorado

Renasce em flashback o passado

Juntando e misturando realidades

O eu de agora e os de outras idades.

O CALDEIRÃO DA SONIA HIRSCH

Canção da Sonia Hirsch

Na vida quase tudo tem remédio

Se a gente entende bem o que é isso

O que nos debilita ou vicia

Nos mata ou nos leva ao suicídio

A febre a fossa a polícia o tédio

O dinheiro e a própria medicina

Que nos fazem querer o precipício

A cura: expurgo e profilaxia

 

Tristeza e tosse com gengibre e prazer

Pra voz clara maçãs, e boa autoestima

Agrião e extravasar pra limpar o fígado

Pro coração: cachos de uvas e amigos

 

Asfalto, calçamento: todos cimentados

Endurecendo o chão e a gente

Pavimentando câncer e estresse

Remédio é picareta e semente.

fast food, prato congelado

Alimentam indústria e colesterol

Anticapitalismo e mastigar sem pressa

Comida fresca, molotov e sol

 

Mingau de arroz limpa o medo e as toxinas

Lágrimas e arruda pra lavar a alma e os olhos

Objetivos próprios, DIY e água fresca

Correr e depois pôr os pés de molhos

 

Se o que não se exercita atrofia

Nadar contra a corrente é liberdade

Viver temperatura e temperamento

Sem cérebro ou ar condicionados

Suar! Mexer! Com outra pele em contato

Abraço molhado! Externando o calor que ar de dentro

 

Remédio é evitar ficar doente

Produzir coisas que têm significado

Manter limpos o corpo e a mente

Remédio bom é amar e ser amado

BOAS RAZÕES PARA NÃO QUEIMAR GASOLINA

Subi no selim e saí pedalando

Pra te dar um ´selim´ e ficar te abraçando

Monstrorista malvado, na má-fé me fechou

Ficou engarrafado, sem o retrovisor.

 

Do motor que leva ao sonho/ minha perna torneada é pistão

Ando com menos pressa/ e tô mais cedo aí

Minha bundinha empinada/ enfeita o mundo sem poluição

Não queimo gasolina/ sou movido a açaí.

 

Subi no selim e saí pedalando

Pra te dar um ´selim´ e ficar te abraçando

Monstrorista safado, na má-fé me fechou

Ficou engarrafado, sem o retrovisor.

 

Controlar meu guidon/ mesmo sem usar as mãos

Prescindir de asfalto/ buscar outras trilhas

Derrapar pro futuro/ pela contramão

Dar uso mais útil/ pra tanta gasolina:

 

Gasolina, garrafa, pedaço de pano!

 

I want to ride my bike/ ride it where i like

Você buzina preso?/ te conto um segredo:

Forget all your duties/ antes que seja tarde

Esquece o casamento:/ melhor comprar uma bike!

 

Dia 07-12 em Santos (SP)

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Show Lançamento do segundo LP – “Dupla Face”

lancamento

Spain – Girona

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